quinta-feira, 10 de maio de 2012

NOÇÕES PRELIMINARES ACERCA DA CRISE DE PERCEPÇÃO


            A crise ambiental foi agravada mais fortemente apenas em meados do século XX, entretanto, pode-se afirmar que tal crise ganhou seus primeiros contornos a partir das formações primárias do modelo linear da mente humana, que começou a ser concentrado no nascituro científico da Grécia antiga.
           Ademais, o pensamento linear ou reducionista foi difundido de forma maciça a partir do século XVII através de estudiosos como Isaac Newton e em especial René Descartes, na criação do método cartesiano.
         Antes de se tecer críticas ao cartesianismo, não é de mais lembrar que o mesmo teve uma enorme importância no desenvolvimento científico-tecnológico, no qual nos beneficiamos até o presente momento. Todavia, pode-se dizer que a formulação do método cartesiano como idealizador e moldador das correntes culturais da sociedade ocidental-moderna, de maneira a reduzir o pensamento humano ao mecanicismo, contribuiu de forma veementemente arrasadora para a atual crise ambiental.
            A partir do momento em que o método cartesiano fragmenta os componentes da vida, o homem tende a estigmatizar o meio ambiente como sendo uma máquina no qual se pode fragmentá-la de maneira a adequar suas funções às necessidades humanas. É nesse contexto de separação cartesiana que se percebe na crise ambiental o fator mental de alienação ideológica dos seres humanos em relação ao meio ambiente como um todo integrado.
             Essa alienação ideológica dos seres humanos em relação ao meio ambiente e a incapacidade do mesmo em perceber a interligação entre o animal homem e tudo o que o circunda, é que demonstra o verdadeiro componente infeccioso da atual crise, que é justamente a falta de capacidade do homem em perceber de maneira holística a sua relação química, física e biológica com o meio em que vive, e é essa falta de percepção que o físico Fritjof Capra chama de crise de percepção.
            Portanto, para Capra a crise ambiental é apenas um reflexo da crise de percepção, no qual o modo cartesiano de pensar o mundo fragmenta a percepção humana incapacitando o homem de compreender os laços de complexidade de cada ação[1].
            O pensamento reducionista cartesiano não mais contribuirá para as noções de equilíbrio e sustentabilidade ambiental, porém, a necessidade de mudança passa por bases globalmente complexas no qual se percebe a necessidade de se abolir o pensamento simplista em favor do todo[2]
            Desse modo, sabe-se que a importância do homem, enquanto animal racional, em perceber o quão é necessário o equilíbrio ambiental para a preservação de toda a biodiversidade incluindo a permanência integral de sua espécie, é fulcral a partir do momento em que o mesmo suporte a idéia, através de anseios educacionais, de transformar cidadãos alienados ecologicamente em “eco-cidadãos”.  
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[1] CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução de Newton Roberval Eichemberg. 10ª reimpressão. São Paulo: Cultrix, 2006.
[2] MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução de Eliane Lisboa. 3ª. ed. Porto
Alegre: Sulina, 2007. 







BRENO PESSOA SIMÃO NOGUEIRA DA CRUZ
ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO SOCIOAMBIENTAL PELA PUC/PR
CONTATO: BRENO.ADV.AMBIENTAL@GMAIL.COM
BLOG DO AUTOR: http://consultoriajuridicaambiental.blogspot.com.br/

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