A crise ambiental foi agravada mais fortemente apenas
em meados do século XX, entretanto, pode-se afirmar que tal crise ganhou seus
primeiros contornos a partir das formações primárias do modelo linear da mente
humana, que começou a ser concentrado no nascituro científico da Grécia antiga.
Ademais,
o pensamento linear ou reducionista foi difundido de forma maciça a partir do
século XVII através de estudiosos como Isaac Newton e em especial René
Descartes, na criação do método cartesiano.
Antes
de se tecer críticas ao cartesianismo, não é de mais lembrar que o mesmo teve
uma enorme importância no desenvolvimento científico-tecnológico, no qual nos
beneficiamos até o presente momento. Todavia, pode-se dizer que a formulação do
método cartesiano como idealizador e moldador das correntes culturais da
sociedade ocidental-moderna, de maneira a reduzir o pensamento humano ao
mecanicismo, contribuiu de forma veementemente arrasadora para a atual crise
ambiental.
A
partir do momento em que o método cartesiano fragmenta os componentes da vida,
o homem tende a estigmatizar o meio ambiente como sendo uma máquina no qual se pode
fragmentá-la de maneira a adequar suas funções às necessidades humanas. É nesse
contexto de separação cartesiana que se percebe na crise ambiental o fator
mental de alienação ideológica dos seres humanos em relação ao meio ambiente
como um todo integrado.
Essa alienação ideológica dos seres humanos em
relação ao meio ambiente e a incapacidade do mesmo em perceber a interligação
entre o animal homem e tudo o que o circunda, é que demonstra o verdadeiro
componente infeccioso da atual crise, que é justamente a falta de capacidade do
homem em perceber de maneira holística a sua relação química, física e
biológica com o meio em que vive, e é essa falta de percepção que o físico
Fritjof Capra chama de crise de percepção.
Portanto,
para Capra a crise ambiental é apenas um reflexo da crise de percepção, no qual
o modo cartesiano de pensar o mundo fragmenta a percepção humana incapacitando
o homem de compreender os laços de complexidade de cada ação[1].
O pensamento reducionista cartesiano não mais contribuirá para as noções
de equilíbrio e sustentabilidade ambiental, porém, a necessidade de mudança
passa por bases globalmente complexas no qual se percebe a necessidade de se
abolir o pensamento simplista em favor do todo[2].
Desse modo, sabe-se que a importância do homem,
enquanto animal racional, em perceber o quão é necessário o equilíbrio
ambiental para a preservação de toda a biodiversidade incluindo a permanência
integral de sua espécie, é fulcral a partir do momento em que o mesmo suporte a
idéia, através de anseios educacionais, de transformar cidadãos alienados
ecologicamente em “eco-cidadãos”.
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[1] CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução de Newton Roberval Eichemberg. 10ª reimpressão. São Paulo: Cultrix, 2006.
[1] CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução de Newton Roberval Eichemberg. 10ª reimpressão. São Paulo: Cultrix, 2006.
[2] MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo.
Tradução de Eliane Lisboa. 3ª. ed. Porto
Alegre: Sulina, 2007.
BRENO PESSOA SIMÃO NOGUEIRA DA CRUZ
ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO SOCIOAMBIENTAL PELA PUC/PR
CONTATO: BRENO.ADV.AMBIENTAL@GMAIL.COM
BLOG DO AUTOR: http://consultoriajuridicaambiental.blogspot.com.br/
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